Salvador, 13 de Dezembro de 2017

Horacio de Matos

(18.03.1882-15.05.1931)

 

            Horácio de Matos era filho de Quintiliano Pereira de Matos e Herminia Gómez Queiroz e sobrinho de Clementino de Matos, que liderou a família Matos na Chapada Diamantina.

Moraes (1997) relata que Horácio de Matos, ainda rapazola, passou a morar em Morro do Chapéu, onde com parcos recursos resolve estabelecer-se com uma loja de tecidos e miudezas além de um comércio modesto de diamantes e carbonados. Ele possuía uma loja com seu nome, no antigo povoado de Campinas, que distava 4km do Ventura.

Ainda segundo esse autor ele aproximou-se do coronel Dias Coelho, chefe político local de largo prestigio e comandante de uma das brigadas da Guarda Nacional, conseguindo a sua estima e, de tal feito, que algum tempo depois se vê presenteado com o título de Tenente-Coronel dessa corporação.

Segundo relato de Flamarion Modesto, certa vez, ao voltar do garimpo do Ferro-Doido, no final da tarde, Horácio foi avisado pela sua companheira, de que sua pistola havia sumido. Saiu procurando pela arma, ate que alguém, disse: quem roubou foi um mateiro que mora na rua do cemitério. Horácio, juntamente com seu irmão Vitor, foi em procura do bruaqueiro . Bateu na porta do barraco e disse: eu vim buscar minha pistola que você roubou.

-Seu Horácio, que conversa é essa?

-Roubou sim, retrucou Horácio, ao tempo em que Vitor foi logo agarrando e puxando o cara, que sem condição de continuar negando falou:

-Escondi a pistola do senhor em cima da serra. Vamos lá para buscar.

Na realidade o garimpeiro tentava ganhar tempo e conseguir um local onde conseguisse correr para se esconder. Procura daqui, procura dali e nada de se encontrar a arma, até que o garimpeiro tenta fugir e é morto. Horácio dizia que o sujeito puxou uma faca e que no apertado da hora ele teve que matar.

Carlos Navarro Sampaio também relata esse episodio, no qual o mateiro teria sido preso em no povoado de Campinas, face ao furto da pistola. Como nesse local não existia cadeia,o preso teve que ser levado para o povoado do Ventura, sendo a escolta formada pelo próprio Horacio e por seu irmão Vitor. Durante o trajeto o individuo teria tentado fugir e durante a luta, no apertado da hora, terminou sendo morto. O local onde aconteceu esse fato ficou conhecido como Apertado da Hora.

Delmar Alvin também relata esse caso, atribuindo-o, entretanto, ao roubo de um diamante.

Em seu leito de morte, em 1912, Clementino confiou os destinos do clã a Horácio de Matos, então com 31 anos de idade. Horácio de Matos tornou-se o mais festejado senhor da guerra no sertão brasileiro. A época e as circunstâncias o impeliram a pegar em armas contra os clãs rivais e contra o governo estadual (Maculay 1977).

Segundo Brandão & Cardoso (1993), tendo triunfado a revolução de 1930, Horácio de Matos atende ao apelo do comandante das forças revolucionárias na Bahia, tenente Juracy Magalhães, de desarmamento do Sertão. Por sua ordem, são entregues ao governador quase 30.000 armas. Uma vez desarmado, Horácio de Matos é preso no dia 30.12.1930, e a exemplo do que acontece com outros coronéis, é enviado para Salvador. Sob os protestos do clero, da magistratura e do comércio, ele é libertado em 13 de maio de 1931 e assassinado dias depois.

O CORREIO DA BAHIA, na reportagem Júri do Povo, publicada no Caderno Domingo Repórter (26.10.2003), relata que o crime que deu cabo à vida do coronel Horácio de Matos tinha uma indiscutível conotação política, por conta da Revolução de 1930. O guarda Vicente Dias dos Santos, assassino do coronel poderoso na área da Chapada Diamantina foi defendido por Edgard Matta e –sempre- Cosme de Farias. A defesa alegou que o réu agiu com violenta emoção, tomado pelo clima de mudança que imperava na cidade. Ao final, o conselho de sentença, absorveu o réu, por sete votos contra um.

            CHAVES (1998) relata que Arquimedes de Matos que estava em Mato Grosso quando o irmão foi assassinado, voltou à Bahia, dedicando-se a cultura de cana-de-açucar na fazenda Bom Prazer, município de Wagner. Pouco tempo depois casou-se com a viúva de Horácio. Segundo Arquimedes esse casamento tinha por objetivo amparar os sobrinhos orfãos, mas muito pensaram que ele queria reviver o cangaço, ocupando o lugar que fora de Horácio, na chefia do sertão.

Comentários enviados

GILCIANE
GILCIANE em 23/10/2014 às 11:44:46 disse:

quero em contra familiares de meu avó deoclides de pereira de matos ele era sobrinho de Horácio de matos ele tem 2 irmãos e quero encontra-los

JUNIOR FRANCO
JUNIOR FRANCO em 16/11/2014 às 17:05:31 disse:

ola giliane, gostaria de saber informações de uma mulher chamada ORCALINA QUEIROZ DE MATOS, vc sabe quem era ela. ela registrou meu pai como mãe.

JAILSON ALVES DA SILVA
JAILSON ALVES DA SILVA em 25/08/2015 às 21:04:39 disse:

me adicina no facebuk,vamos tentar achar

JAILSON ALVES DA SILVA
JAILSON ALVES DA SILVA em 25/08/2015 às 21:07:01 disse:

deoclides era filho de qual irmao de horacio?

Ademar Gualberto de Souza
Ademar Gualberto de Souza em 08/05/2016 às 15:03:45 disse:

Meu pai Anisio Gualberto de Souzs, gostaria de saber dos senhores, se seu tio: QUINTINO FRANCISCO DE SOUZA, SE DE FATO O MESMO FOI CASADO COM UMA DAS FILHAS DO CORONEL HORÁCIO QUEIROZ DE MATOS, gostaria de saber sobre o assunto em pauta, e se confirma tal relato, PARA MAIOR REFERÊNCIA SOMOS DA CIDADE DE PILÃO ARCADO-BAHIA, AS MARGENS DO RIO SÃO FRANCISCO. Agradecemos à atenção dispensada ao caso. Fiquem com Deus

Utilize o espaço abaixo para contribuir com informações, sugestões, elogios ou críticas ...

Sua mensagem será moderada antes de aparecer para o público.


(Obrigatório)
Este campo é obrigatório.Formato de e-mail inválido.

Desenvolvido por Éder Lima